Como está a nossa maturidade emocional?
Por Ricardo Garcia
Nas nossas vidas, precisamos lidar com alegrias, tristezas, frustrações, momentos de êxtase, decepções, enfim, com uma infinidade de sentimentos e sensações inerentes à condição humana. Uma das primeiras lições que aprendemos com a vida é a de que é impossível passar por ela intacto.
Nesse sentido, o entendimento de que não há como viver sem enfrentar o turbilhão de experiências que vão marcar a nossa caminhada, com os seus altos e baixos, é fundamental para desenvolver algo extremamente valioso para nós: a nossa maturidade emocional.
Quando falamos em maturidade, costumamos associá-la com a idade. O senso comum entende que a medida que vamos envelhecendo vamos adquirindo mais maturidade, mais vivência, mais "traquejo" para lidar com as pessoas e com o mundo, baseado em tudo aquilo que já vivenciamos e já tiramos de aprendizado. Ou seja, já nos tornamos mais calejados a partir do que a vida já nos ensinou.
O que acontece é que não se trata de uma fórmula pronta. A idade é somente um número e não um atestado, um certificado de experiência e de sabedoria diante das provações da vida.
Tudo o que acontece nas nossas vidas vai nos moldando, para melhor ou para pior. Tudo vai depender da maneira como reagimos e como assimilamos ao que nos acontece. Episódios traumáticos e dolorosos certamente vão nos marcar e nos acompanhar ao longo da nossa travessia, mas eles não podem nos resumir, assim como não podemos permitir que nos tornemos reféns emocionais deles.
Do mesmo modo que os episódios de alegria e de empolgação não devem nos iludir, nos fazendo crer de que aquilo é permanente e que a felicidade é algo eterno.
A compreensão de que a vida é feita por momentos para rir e para chorar, e de que muito do que acontece nela foge do nosso controle e do nosso domínio, nos amadurece emocionalmente.
Parece simples, mas para muitos essa percepção demora a chegar. Por isso que o amadurecimento emocional não chega para todos ao mesmo tempo. Alguns precisam de mais tempo para alcançar um grau de entendimento a respeito do senso de auto responsabilidade e de autoconhecimento, da maneira como se lida com as suas próprias atitudes e com as dos demais.
A incompreensão diante de tudo isso nos induz à frustração, à mágoa e à autopenitência, que são desenvolvidos como mecanismos de proteção quando nos consideramos punidos pela vida e nos sentimos injustiçados.
Alimentar sentimentos reiterados de negação e de aversão à frustração é pavimentar um caminho para nos tornarmos imaturos emocionalmente, verdadeiros "mimados emocionais", pessoas incapazes de lidar com situações que não se adequam às suas projeções.
Agindo dessa forma, nos condicionamos a adotar comportamentos sempre reativos. Quando algo é favorável para nós, nos sentimos gratos a algo ou a alguém, mas quando as coisas não saem como desejamos, culpamos aquela situação ou aquela pessoa como a responsável pelo nosso fracasso. Trata-se de um caso típico de imaturidade emocional e que deve ser combatido continuamente.
Na realidade, trabalhar e fortalecer o nosso emocional para entender que tudo, absolutamente TUDO o que nos acontece e nos afeta gira em torno de como lidamos com as circunstâncias do nosso entorno é um dos melhores investimentos que fazemos em prol do nosso amadurecimento.



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