O século XXI será o século da espiritualidade? (Parte 2)

Por Pedro Emmanuel Goes

A espiritualidade ainda vai ser um tema muito discutido e refinado ao longo das próximas décadas. É natural que numa situação como a que estamos, esse interesse venha à tona tão fortemente. Não é apenas importante, mas é a RESPOSTA. 

É a partir dessa concepção de “amor doador” que a espiritualidade se apresenta na vida cotidiana: de forma solidária e prática, não opressiva, aceitando toda a vida que a nós se apresenta. 

Protestos pela inclusão de minorias, anti racismo, anti fascismo,  práticas inclusivas e olhar gentil e atento para própria conduta e a política é espiritualidade. Ser prático, organizado, e despertar para o sentido da sua vida é espiritualidade. Arrumar a cama, beber água e evacuar todos os dias é espiritualidade. Aceitar as diferenças, perdoar, incluir, tudo isso é a espiritualidade “em ação”. Espiritualidade não prende, liberta. Não oprime, integra.  Ela alarga, expande, é sábia, e por isso, justa.

A popularidade da terapia, da psicanálise, da psicologia, da nutrição e de outros caminhos mais (ou menos) convencionais de cura interior já mostram essa busca por uma espiritualidade (no sentido de reintegração, reconhecimento, reconexão com a vida) crescendo e ganhando interesse das pessoas. 

Paralelo a isso, terapias alternativas como yoga, massoterapia, artes marciais, acupuntura, reiki, medicinas indianas, chinesas, indígenas também ganham espaço no mercado como auxiliares e ajudantes eficazes na busca pela saúde interior, e manutenção do equilíbrio entre mente e corpo, assim como o foco, em longo prazo. 

A dieta vegana/vegetariana e a discussão sobre soberania alimentar também tem seu papel nesse movimento: não há mente saudável, equilibrada, sem corpo saudável. É uma causa espiritual, mas que tem raiz imediata na política capitalista.

Essa perspectiva nos mostra tateando, buscando primeiro formas mais sólidas (como as terapias convencionais e alternativas) de nos reintegrarmos. Outros embarcam com mais força e fé no misticismo e apostam sua reconexão na observação e integração dos símbolos na própria psiquê, via astrologia, tarô, i ching, e outras técnicas mais oraculares. Outros se apegam, ainda, à ciência e ao fato para desenvolver seu sentido pessoal. 

Chico Xavier já dizia que a ciência iria provar a existência da alma neste século. Os avanços científicos (como a descoberta e os estudos da física e mecânica quântica), já começaram a mostrar a realidade desse mundo, que é sutil, invisível aos olhos, e existe dentro e fora de nós. 

E é de “fundamental importância” para nossa saúde individual e dos grupos dos quais participamos termos consciência desses diferentes níveis de realidade. Quanto mais nos conectamos, mais nos alinhamos, seja a um “equilíbrio divino” ou “justiça divina”, ou a nossa verdade interior; quanto mais afastados, mais desordenados somos, mais desordem provocamos. 

A pauta do futuro é a integração de todos, e não há integração sem espiritualidade sincera, cotidiana, básica, e diária, visto que a Vida está em tudo. Como diz a música dos Beatles, life flows on within you and without you (a vida flui dentro de você e sem você).

Leia a parte 1 aqui.

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