Os novos paradigmas de mundo

Por Fernando Pinto*

Como terapeuta, eu venho percebendo diferentes movimentos na prática clínica. Cada vez mais a ansiedade vem afetando as pessoas de forma negativa, transformando a nossa sociedade em uma pilha de nervos que pode explodir a qualquer momento sem motivação aparente… Precisamos então compreender um pouco mais dos conflitos que nos cercam para termos noção do que está acontecendo conosco e ao nosso redor. 

Assistindo a uma das minhas aulas eu lembro de um professor falando sobre os novos paradigmas de mundo e em meio a isso ele falava sobre as pessoas que habitam no mundo BANI (frágil, ansioso, não linear e incompreensível). 

A ansiedade faz parte de um complexo sistema cerebral que nos prepara para situações estressoras, aliando isso à nossa fragilidade (nossa imagem, discurso e outras formas de se expressar sendo criticadas ou comparadas várias vezes), a uma perspectiva de vida constantemente mutável e à dificuldade que temos para compreender diferentes perspectivas (diante de nossas defesas e outras coisas). Diante de tudo isso, temos muitas vezes a sensação de estarmos no limite. 

Com tudo isso que foi descrito acima, somado com nossas cargas emocionais pregressas e emoções que nem sempre são expressadas, podemos, com facilidade, alcançar o limiar da nossa raiva, expressando-a por meio da agressividade para promover uma mudança. 

Você pode se reafirmar: “Sou racional, nunca irei perder o controle!” Admiro sua convicção, porém a razão é parte do seu cérebro, não todo seu cérebro. Pense agora na razão como um equilibrista que equilibra pratos. Ela pode equilibrar vários pratos em cada um dos seus membros, mas, se em algum momento a quantidade de pratos exceder o seu limite, ele perderá o controle e tudo irá por terra. 

Emocionalmente falando, aqui é o momento em que perdemos o equilíbrio e dizemos: “saí de mim”, “perdi o controle” ou “não me reconheci”. Agora eu lhes pergunto: Será este o melhor momento de mudarmos o ambiente? Acredito que não! 

Afetar as pessoas agindo “fora de si” por meio da agressividade acaba promovendo mudanças ou reações não necessariamente desejadas, até as vezes ensinando aos outros que a agressividade é o melhor caminho. 

Nunca houve tanta importância em aprender sobre a inteligência emocional como hoje! Com o uso da inteligência emocional é possível compreender suas emoções de forma consciente (diminuindo a ocorrência de momentos em que você “sai de si” ou “perde o controle”), podendo transformar o ambiente ainda sob controle de si! Dessa forma, podem haver mudanças mais significativas no ambiente, de maneira a construir mais de forma colaborativa. 

Para lidar com esse problema tão latente e crescente, precisamos dar um tempo pessoal para conversar com nossas emoções de forma mais calma, menos imediata que os estímulos que temos (apps de redes sociais diversos). 

Procurar se reconectar com as pessoas, sair de nossas esferas sociais confortáveis, realinhar nossa tolerância são importantes passos para esse processo de desenvolvimento saudável. Afinal, a vida não foi feita para ser vivida com um clique ou um toque de nossas mãos. 

*Fernando Pinto é Psicólogo Clínico, atuando com Psicologia para E-sports e Orientação Profissional e Obra de Vida



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