O medo da mudança
Por Ricardo Garcia
Posso apostar que por mais confiante e destemido que alguém seja (ou pelo menos demonstre), em algum momento da vida essa pessoa já sentiu medo. Falo isso porque o medo é uma das emoções mais naturais que temos. Ele é instintivo. É o que alimenta a nossa humanidade.
Sentir medo, muitas vezes (e por razões justificáveis), é visto como algo negativo, que devemos evitar ou combater. Isso acontece quando ele nos bloqueia e nos domina, prejudicando a nossa racionalidade e o nosso poder de decisão.
Mas o medo pode ser também um mecanismo de defesa, de proteção, de blindagem contra algo que possa nos ameaçar ou nos colocar em risco. O segredo está em encontrar a dosagem saudável de medo que deve nos acompanhar na nossa caminhada.
E um dos medos mais recorrentes que sentimos ao longo de nossas vidas é o medo da mudança. O medo de lidar com transformações que vão abalar e sacudir a nossa normalidade, o nosso fluxo habitual.
Algumas mudanças podem soar banais, como adotar um novo corte de cabelo ou decidir trocar de celular. Outras podem ser mais significativas, como começar a praticar um esporte ou iniciar uma dieta. Já outras envolvem uma carga emocional mais complexa, como trocar de emprego ou de casa. De qualquer forma, seja qual for a mudança, ela vai gerar algum impacto e uma certa dose de receio, em maior ou menor proporção em você.
A própria disposição à mudança é sinal de que algo está lhe inquietando e precisa ser ajustado. Pode ser uma mudança pontual, momentânea, sem grandes consequências a longo prazo, mas que você sente a necessidade de realizá-la. Você pode ainda mudar algo simplesmente por conta de uma "virada de chave", uma nova percepção e entendimento que você adquire a respeito da vida.
Pela dimensão e complexidade que envolve esse tipo de mudança, capaz de afetar diversos aspectos da sua realidade, ela costuma estar cercada de medos mais intensos. É como se você estivesse assumindo um risco com o qual ainda não está completamente seguro de encarar.
Nessas situações, o mais importante é agir com naturalidade e ter em mente que mudar causa medo. Isso é inevitável. Não se culpe ou se desencoraje por sentir esse medo. Ele faz parte do processo de mudança. E ao mesmo tempo em que amedronta, a mudança é um ato de bravura, de enfrentamento pessoal e de altivez diante da vida.
E para mudar, você precisa estar em movimento. Logo, o medo que você sente deve ser alimentado como um impulso, como algo que lhe empurre para frente e não como algo que o deixe paralisado.
Reconhecer e valorizar a existência do medo é fundamental, desde que você não se sinta dominado por ele. E lembre-se: sem pitadas de medo e de coragem não se chega a lugar nenhum.
É como já dizia o cantor Gabriel O Pensador: "Muda que quando a gente muda o mundo muda com a gente. A gente muda o mundo na mudança da mente. E quando a mente muda a gente anda pra frente. E quando a gente manda ninguém manda na gente."



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