Apego disfuncional
Por Ricardo Garcia
Nas nossas vidas, desde o momento em que nascemos, desenvolvemos laços e relações de apego com o nosso entorno. A psicologia está aí para comprovar isso.
Crianças necessitam estabelecer vínculos de conexão com o mundo (sobretudo por uma questão de sobrevivência), pois essa dependência os tornam mais seguros e protegidos.
Não à toa, a distância dos personagens de cuidado e de proteção vulnerabiliza os mais jovens, que se sentem desamparados e fragilizados.
Mas e quando crescemos, como ficam as relações de apego entre os adultos? A realidade é que elas tendem a se reproduzir de outras formas, mas com a mesma essência.
Podemos desenvolver relações de apego material (com bens ou objetos), com um determinado estilo de vida, assim como com as pessoas com quem convivemos.
E apegar-se não necessariamente significa algo negativo ou nocivo, se houver uma racionalidade dentro dessa relação e se ela não prejudicar ninguém.
O que acontece é que a medida que esse apego se “excede” e transcende os níveis saudáveis e aceitáveis, principalmente nas relações humanas, um sinal de alerta deve ser ligado.
O ponto central é: se podemos considerar objetos ou até a maneira como optamos viver como “posse” nossa, como algo que nos “pertence” e está sob o nosso controle, dizendo respeito somente a nós, não podemos fazer o mesmo quando se trata de outros seres humanos.
Ninguém é de “posse” nossa. Ninguém “pertence” a nós. Cada ser humano, a partir do momento em que desenvolve a sua autonomia deve assumir as rédeas da sua vida (claro que devem ser levadas em consideração as exceções e particularidades, como casos de doença, velhice, etc).
Mencionei palavras duras como posse e pertence porque sim, algumas pessoas estabelecem relações questionáveis com as demais, principalmente com as mais próximas. Muitas pessoas “confundem” o apreço e o apego que nutrem por alguém com relações de domínio, assumindo comportamentos de controle e até de submissão psicológica.
São vários os fatores que podem levar a isso. Fraquezas, questões emocionais não trabalhadas, dentre outros, podem fazer com que nos apeguemos de tal forma a uma pessoa que, consciente ou inconscientemente, nutrimos relações doentias e perigosas sob o ponto de vista da saúde mental.
Isso pode se aplicar a diferentes tipos de relação, sejam elas familiares, entre parceiros amorosos, de colegas de trabalho, em que chantagens emocionais, jogos psicológicos e outros recursos do tipo são usados de forma abusiva para encobrir um pretenso apego.
Sendo nós as vítimas ou os autores desse "superapego", é hora de repensar como estamos “alimentando” as nossas relações afetivas.


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