A crueldade que nos cerca
Por Ricardo Garcia
Que o ódio, a violência, o linchamento, a barbárie fazem parte da sociedade como um mal secular, como máculas da humanidade, não há como deixar de se admitir e de se reconhecer, infelizmente.
Por mais evoluídos socialmente que possamos nos considerar, por mais progressos em termos de coletividade e de fraternidade que tenhamos alcançado, algumas mazelas humanas ainda são bem difíceis de serem superadas. Com elas ainda teremos de lidar por muitos e muitos anos, muitas e muitas gerações.
Mesmo diante desse contexto, mesmo com o combate veemente a certas práticas de ódio e a reprovação de uma boa parcela da humanidade a condutas dessa natureza, não há como não se espantar e não se chocar com episódios capazes de demonstrar como a "força do mal" está mais presente do que nunca nos nossos tempos. E até em “pautas” que pareciam adormecidas ou intocáveis. Pautas que já causaram enorme mal e que pessoas de bom senso evitam abordá-la. Afinal, quem imaginaria que em pleno 2022 ainda houvesse gente defendendo ou fazendo “graça” com temas como o nazismo??
Por mais conscientes que sejamos sobre a maldade do mundo, sobre a perversidade humana, que estão aí a olhos vistos, não podemos aceitar a “normalidade” de tempos tão brutais e cruéis. Não podemos aceitar o espaço dado, os holofotes amplificados a tantas vozes que só propagam o terror, a estupidez, a desumanidade.
É por isso que ainda nos chocamos (e devemos nos chocar!) com o espancamento e o assassinato selvagem de um negro em via pública, aos olhares de pedestres e de câmeras de segurança. É por isso que nos chocamos com a morte de uma criança, cujas agressões foram acobertadas por sua própria mãe, que em um mundo aceitável seria a responsável por proteger o seu filho.
Definitivamente não vivemos tempos normais nem aceitáveis. A capacidade de nos horrorizar com tudo isso e de combater incansavelmente o mal nos humaniza, porque nos diferencia da irracionalidade pura.


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