O exercício da empatia

Por Ricardo Garcia

Por que parece ser tão difícil nos colocarmos no lugar do outro? Por que nós humanos temos essa tendência de, entre nós mesmos, sempre nos acharmos superior de alguma forma ao outro? Por que, como diz Mafalda, esse mundo tem sido habitado cada vez por "mais gente do que pessoas"?

A verdade é que julgar, ridicularizar, inferiorizar, apontar o dedo para o outro é sempre mais fácil e cômodo para nós do que mirar os nossos próprios defeitos e falhas.

Avaliar a si próprio, questionar a si mesmo sobre o que é necessário melhorar requer profundidade, autoconhecimento e, acima de tudo, disposição para se "auto encarar". Nem todos estão dispostos para essa avaliação. Sendo assim, muitas vezes acabamos por (até inconscientemente) "atacar" as fraquezas do outro, em um ato de acobertamento das nossas próprias fraquezas. É aquela velha história de ao tentar diminuir o outro, "supervalorizando" o que você enxerga nele como inferior, você se sentisse superior a ele.

Nesse sentido, a empatia é um dos valores humanitários mais preciosos e inestimáveis que existem. E é sim preciso admitir que não é fácil praticá-la. Ser empático exige disposição para exercitá-la a todo instante, sem concessões.

Vejamos uma exemplo. Uma pessoa claramente obesa se deslocando com dificuldade na rua vai chamar a sua atenção? A tendência natural é que sim. O que essa cena vai provocar em você? Risos? Julgamentos? Críticas? Tenho certeza que para muitas pessoas, essas seriam as reações mais "esperadas", infelizmente. 

E que tal se cenas como essa provocassem em você uma reflexão? Não digo um sentimento de pena, mas que aquela situação lhe forçasse a se colocar no lugar daquela pessoa? Como será que ela deve estar se sentindo? Como será que ela lida com os olhares "curiosos" a respeito dela, com os risinhos desagradáveis ao redor dela? Você se sentiria bem na "pele" dela? 

Pois bem, tudo isso é ser empático, e refletir sobre a condição do outro pode se aplicar em diversas outras situações, sejam elas relacionadas com a aparência ou características físicas, ou com outras questões. Podemos praticar a empatia com pessoas em quadros de depressão ou que passaram por traumas como luto ou traição, por exemplo. 

São várias as situações em que podemos ter um olhar mais acolhedor e humano com os outros. Posso garantir, ser mais empático e menos acusatório com os demais nos torna pessoas melhores. Ou como diz a Mafalda, nos torna pessoas... pelo menos. Já pode ser considerado um avanço.

Uma ótima forma de aprofundar mais a reflexão sobre o assunto é ler o artigo "Na pele do outro", da fabulosa Eliane Brum.   


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