Final de ano: melancolia ou êxtase?
Por Ricardo Garcia e Maria Moura
Fogos de artifício, champanhe, confraternizações. Brindar, festejar, comemorar. O final de ano geralmente é um período marcado pelo espírito festivo, de celebração e êxtase, em que procuramos alimentar o otimismo e a esperança de um novo ano de realizações e vitórias.
Apesar de tudo isso, não é raro encontrar pessoas que se sentem mais melancólicas e deprimidas justamente nessa época do ano. Mas porque isso acontece e não é algo que pode se considerar surpreendente?
A resposta é que o mês de dezembro, e consequentemente os últimos dias de um ano, é um período que nos convida a reflexão, a pensar sobre o que fizemos e o que não fizemos nos 11 meses anteriores.
Enfim, é uma época de "balanço", de retrospecto sobre o que aconteceu nas nossas vidas nos últimos tempos, e a depender das nossas experiências recentes e de como lidamos com elas, a tendência é que sentimentos como arrependimento, frustração e melancolia prevaleçam nas nossas lembranças.
É como se em dezembro as nossas memórias ficassem mais afloradas. É como se tudo aquilo que foi marcante (e até o que aparentemente passou batido) no ano que vai terminando ganhasse mais vida, mais significado.
Além de tudo o que foi dito, ainda existe a pressão, a cobrança social de demonstrar felicidade e entusiasmo nesse período, afinal é uma época em que todos estão celebrando e compartilhando um espírito fraterno e emanando boas energias. Logo, quem não está nessa "vibe" procura se isolar, preferindo a introspecção e o distanciamento. Ou, quando realmente há a necessidade de socializar, encara esses momentos como meros protocolos sociais, sem se envolver de fato com eles.
De qualquer forma, o final do ano mexe com o nosso emocional e com o nosso astral, nos deixando mais sensíveis e pensativos. Sendo assim, a alegria "eufórica" que embala, para alguns, os últimos dias do calendário pode ser apenas um escape momentâneo e, porque não, necessário para lidar com angústias internas.


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