Tarcísio, Glória e o amor que inspira

Por Maria Moura

Todo mundo que um amor “Tarcísio Meira e Glória Menezes”, mas poucos querem enfrentar o caminho para chegar a esse nível de amor.

Primeiramente, sim, essa é uma singela homenagem ao adorável ator Tarcísio Meira. O artista que deixou esse mundo físico e foi viver na saudade de sua família, amigos, parentes, admiradores e, principalmente, da sua esposa, que foi sua companheira por mais de 60 anos.

É notório o sentimento diferenciado que se vê entre Tarcísio e sua esposa Glória.  É de admiração unânime o relacionamento que eles cultivaram não só nas telas, mas também por trás das câmeras.

Assistir reportagens dos dois juntos e ver a sintonia, o grau de envolvimento, a profundidade que o casal mais inspirador exprime é, sem dúvida, de fazer carinho na alma.

Estamos falando de mais de 60 anos juntos. Um amor que, para durar tantos anos, não deve ter tido todos os seus dias marcados por flores e encantamento, como o nosso romantismo tende a nos leva a crer.

O amor (e tudo que contribui para formar esse sentimento) se solidifica um tanto mais quando se atravessa por provações diversas. A capacidade de voltar a nutrir a relação com os ingredientes estimulantes do amor é que vai definir o tempo de vida e a saúde dessa relação. Momentos ruins, dias de desassossego, situações desafiadoras, conflitos individuais e conjuntos e guerras internas, todas essas emoções são inerentes ao ser humano, estando ele sozinho ou acompanhado.

Estar junto de alguém, formando um par amoroso, é o campo mais fértil para o desenvolvimento humano. Quando vemos casais que souberam reconhecer a riqueza que existe no caminhar acompanhando, o resultado não foge ao seu propósito: uma relação genuína e a inexplicável sede de os dois serem um.

A valorização da individualidade desfigurada, o “egoísmo saudável”, a banalização do amor próprio desvirtuado, níveis de comprometimento limitados para evitar a temida dependência do outro, se mostrar “ser sozinho (a)” virou quase uma obrigação imposta pelo empoderamento deturpado. E sobre esses pontos, refleti assistindo um trecho de uma entrevista dada pelo casal, em que Glória assume, despreocupada, que necessita de Tarcísio e ele dela, discurso dificilmente agradável aos ouvidos dos independentes emocionais e autossuficientes.

Nutrir sentimentos que perpassam anos com o objetivo final de manter firme a motivação de amar a pessoa que escolheu para estar junto é muito bonito de se ver e profundamente difícil de praticar.

É uma lista infinita do que existe por trás de um relacionamento “Tarcísio Meira e Glória Menezes”. A tolerância, a paciência, a cumplicidade, a bondade, a renúncia, o ceder, o zelo e o cuidado, entre outros infinitos componentes meios que têm um alvo fim para alcançar.

Praticar tudo isso é desafiador e hoje se tornou apavorante confessar o desejo de viver uma relação de pleno comprometimento.

Olhar o amor desse casal e ver somente o resultado (algo estático), ignorando o processo vivido, e desejar para si é, no mínimo, romântico e utópico, que só está disponível nos filmes que podem distrair no máximo duas horas. Na vida real o amor é exigente.

Entendo que os tempos são outros. As coisas mudaram. As mentalidades também. 

Estar disposto a construir uma relação nesse formato sonhado por muitos ainda demanda elementos "ultrapassados", pouco cultivados no hoje.

Os holofotes da "autossuficiência carente" cegam o brilho de adentrar a fundo um no outro. 

As formas de se relacionar também vêm mudando. A fugacidade da vida tem contribuído para isso, eu sei.

Mesmo que cada um escolha viver sua relação da forma que deseja, é inegável que quando vemos um exemplo "Tarcísio e Glória" ficamos fascinados. Ter disposição para tamanha entrega é para poucos. Somente alguns vão contar uma história parecida com essa, de grandiosa lindeza assim.

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