Como se mede a felicidade?

Por Ricardo Garcia

A felicidade é um conceito relativo, que está mais ligado a um estado de espírito do que a um sentimento perene e formado.

Dificilmente você vai encontrar uma pessoa feliz em sua essência. Ela pode estar atravessando um momento feliz ou se contentar com as pequenas doses de alegria da vida, porque a felicidade é instante e não permanência. 

Não é preciso uma reflexão muito profunda para se chegar a essa constatação. Afinal, o que justificaria o descontentamento e a sensação de incompletude de pessoas altamente privilegiadas e bem sucedidas?

Sim, é possível encontrar pessoas com "tudo" na vida e em condições absurdamente favoráveis socialmente ou economicamente que se sentem infelizes e descontentes. E isso pode não ter nada a ver com ingratidão ou deboche (como os adeptos da positividade tóxica podem questionar rs rs).

A leitura de uma matéria antiga, publicada em 2015, sobre as frustrações da população australiana de viver em um local tido como "perfeito" aflorou essa minha percepção.

O texto relata como o perfeccionismo de uma sociedade que deseja primar pelo bem estar dos seus habitantes pode ser um prato cheio para criar pessoas frustradas, acomodadas e sem grandes ambições, já que tudo o que precisam para viver em condições satisfatórias lhes é dado de mão beijada.

Claro que se trata de um recorte extremo e pontual para ilustrar os "riscos" que a perfeição excessiva pode provocar. Mas serve como um pertinente ponto de análise para questionarmos o que seria capaz de medir a felicidade. E pelo visto, essa escala de medição não é tão simples quanto parece.


 




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