Relações familiares: quando a individualidade pede espaço
A dinâmica familiar é caracterizada por uma convivência em grupo que pode desencadear
padrões tóxicos que afetam todos os envolvidos.
Como esse assunto não foi tratado durante anos,
sendo hoje abordado com mais leveza, muitas pessoas estão tendo mais clareza sobre sentimentos
e sensações que sentiam, mas não sabiam descrever, se sentindo muitas vezes egoístas
por acharem que era um enorme erro não sentir mais satisfação na vivência
diária com a família de primeiro grau.
Não é possível viver só de amor materno e fraterno.
Para uma vida saudável é essencial à pessoa adulta nutrir-se
de outros tipos de amor, sobretudo o amoroso-afetivo. Um ser humano adulto que
não desenvolve esse sentimento para com outro, tem grandes chances de viver
insatisfeito com a falta que esse pilar de amor faz, por sentir que algo está
desajustado.
Parece duro dizer, mas o ninho familiar já não é
mais suficiente para ter uma vida plena, porque o ser humano depois de adulto
tem a necessidade de fazer sua própria história, buscar seus prazeres e
conhecer outro lugar que ele se sinta confortável também, além do lar em que
nasceu e se criou.
É normal ao ser humano a necessidade de fazer
outros laços para poder se sentir vivendo na sua própria pele. Caso contrário, ele pode se tornar um eterno dependente afetivo dos familiares, e com o tempo, vai se sentir inútil e
incapaz por não ter construído seu próprio destino.
A longo prazo isso gera muita confusão no
psicológico da pessoa.
É
importante não perder as raízes, mas cortar o cordão umbilical da dependência é
essencial para seguir o fluxo natural da vida adulta.
É preciso traçar rotas diferentes das quais
estávamos habituados a seguir juntos da família; é fundamental que cada um
trilhe seu próprio caminho, construindo uma história honrosa que o faça sentir
orgulho e motivação com a vida.
O egoísmo inconsciente de alguns pais/ cuidadores os
fazem negar à prole a vivência plena de sua própria vida por ciúme ou sensação
de posse. Fazendo isso, os pais tornam-se injustos ao projetar seus medos e
inseguranças no outro, principalmente quando influencia no bem estar do filho.
Desejar uma vida diferente da do círculo familiar não
invalida sentimentos, ao contrário do que pode acontecer quando adultos
permanecem em um mesmo ambiente que não cabe mais todos: a personalidade de cada
um aflorará de maneiras diferentes podendo gerar situações desagradáveis.
O adulto chega a um momento da sua vida em que as relações com a família de primeiro nível já não o preenchem mais. Isso por que ele almeja outras experiências, e o que viveu na infância e adolescência é um ciclo que sente necessidade de encerrar.
Embora guarde com saudade as
recordações vividas com os que fizeram parte de sua infância/ adolescência, isso
já não o satisfaz mais e nem gera prazer e sensação de completude no indivíduo
adulto. Tudo isso fez parte de sua vida, mas não é mais interessante e lógico reviver,
simplesmente porque não faz mais sentido. Seus desejos e anseios estão em outro
patamar. Agora a mente e o corpo dele exigem outras necessidades que as pessoas
do seu círculo familiar não podem mais proporcionar.
A ligação com as figuras de apego primitivo do ser
humano nunca será anulada. Esses primeiros amores nunca serão substituídos.
Os espaços de um adulto é que se expandem e
demandam coisas diferentes do que a família oferece. A satisfação já não pode
mais ser suprida com momentos entre pai, mãe e irmãos.
A mente adulta ressignifica os sentidos de
completude. Se antes era prazeroso sempre dividir as experiências de vida em família (embora esses
momentos sempre devam permanecer e trazer muita alegria), agora a sua maturidade exige outras
vivências e convivências.
São assuntos que, a primeiro momento, parecem significar falta de amor ou ingratidão com a família. Mas é preciso seguir. É preciso viver a individualidade latente da vida adulta, além do mais, dar andamento ao curso da vida com normalidade faz parte de uma mente saudável e inteligente.



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