Como lidar com as nossas feridas emocionais?

Por Ricardo Garcia

"Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você."

O pensamento do filósofo Jean-Paul Sartre ilustra uma das principais questões existenciais do ser humano (não é a toa que Sartre é um dos fundadores do existencialismo). Ele nos provoca a refletir sobre como lidar com tudo aquilo que nos afeta de alguma maneira.

Pode ser uma mágoa, um trauma, uma lembrança negativa, uma ofensa, uma tragédia. Por mais significativo, marcante e pesado seja o fardo que você carrega, ele só terá o peso que você estiver disposto a dar para ele.

É nesse sentido que a reflexão de Sartre se mostra extremamente pertinente e relevante para qualquer pessoa, já que é uma lição para aplicarmos nas nossas vidas, mas sobretudo para aqueles que passaram por experiências adversas capazes de transformar percepções.

Tendo em vista que, muitas vezes, são nos pensamentos vingativos, de justiça e de dor remoída que alimentamos algum tipo de "reparação emocional" pelo que sofremos, se faz mais importante trabalhar os sentimentos internos no sentido de "ressignificar" o que nos afetou. 

É o melhor caminho que temos para "converter" uma experiência dolorosa e que nos abalou em algo que verdadeiramente não nos "puxe para trás", mas sim nos impulsione para a frente.

Toda essa reflexão me veio à tona após acompanhar a interessante série espanhola de suspense "O Inocente", disponível no Netflix.

A obra aborda uma série de acontecimentos traumáticos na vida de diversos personagens e como cada um soube lidar a partir do "que fizeram com eles".

Vale a pena tirar um tempinho da sua semana para assistir aos 10 episódios de "O Inocente" e fazer associações com o pensamento de Sartre.       

Comentários

Mensagens populares