Somos um conceito limitado?
Por Lívia Garcia
"Se aceito a outra pessoa como alguma coisa definida, já diagnosticada e classificada, já cristalizada pelo seu passado, estou assim contribuindo para confirmar essa hipótese limitada. Se a aceito num processo de transformação, nesse caso o que faço pode confirmar ou tornar real as suas potencialidades (Carl Rogers)
Essas palavras foram ditas por um famoso psicólogo humanista, e me impactaram bastante. No caso ele está se referindo a como proceder numa relação de ajuda com um paciente, mas eu aplico esse ensinamento a todas as relações humanas, independente de se estabelecerem entre um terapeuta e seu cliente.
Constantemente nos deparamos com uma situação de auxiliar alguém próximo, e à medida que já conhecemos mais intimamente essa pessoa, temos o conhecimento de seus defeitos e virtudes, das suas falhas e aptidões, e em posse dessas informações, estamos suscetíveis a aceitá-las como algo imodificável.
Quer dizer, se a pessoa já se mostra para mim de uma certa forma, devo acreditar que ela é somente aquilo e nada mais? Todos são um conceito fechado? Tais indagações igualmente se aplicam a mim mesma.
Como Rogers bem diz, é preciso que aceitemos uns aos outros como participantes de um processo constante de transformação, pois somente ao praticarmos a aceitação desse modo é que estaremos de fato prontos para ajudar (e nos ajudarmos). Por mais que nossos aspectos negativos e positivos sejam de conhecimento externo e interno, não devemos nunca acreditar e prejulgar que os mesmos estão incorporados definitivamente à nossa personalidade e que não podemos efetuar mudanças para nossa melhoria.
É justamente por estarmos sempre em transformação que nossas potencialidades estão sujeitas a se expandirem, mas é necessário que tenhamos essa consciência e a exercitemos. Portanto, antes de negarmos ajuda a alguém (e a nós mesmos) por entendermos que "não tem mais jeito", procuremos lembrar que as mudanças nos rodeiam incessantemente e só cabe a nós inseri-las em nossas vidas.



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