De quantas ausências se faz uma saudade?
Por Ricardo Garcia
Perder alguém próximo é doloroso e inquietante. Não ter mais a companhia de uma pessoa que fazia parte da sua convivência e do seu dia a dia faz com que um buraco existencial se abra na alma à espera de que algo seja capaz de preencher o espaço deixado vazio.
E quando, mais do que próximo, a pessoa que se vai é simplesmente parte do que você é? Quando ela não era apenas uma companhia ou alguém da sua convivência diária, mas sim uma parcela significativa da sua própria essência? Como reagir a situações como essa?
A partida física de alguém assim nos obriga a repensar quem somos. Se essa pessoa que se foi moldou tanto o nosso caráter e a nossa identidade, a ponto de nos questionarmos o quanto temos dela na nossa própria essência, cabe a nós, a partir desse momento, ressignificar a nossa existência, à procura de um novo eu.
É natural que as lembranças venham à tona em todos os instantes. Para alguém que estava tão presente nas pequenas coisas da sua rotina, lidar com as pequenas ausências não é fácil.
São as ausências que se manifestam em uma ligação de tarde pedindo um favor que não chega mais. É a porta que não abre mais às 18h. É o “boa noite filho”, seguido de um carinho na cabeça que não existe mais.
A capacidade de seguir a vida após um episódio em que um pedaço valiosíssimo dessa vida lhe é tirado bruscamente, sem avisos e sem preparativos, passa pela habilidade de organizar mentalmente essas pequenas ausências e transformá-las em saudade, as guardando em um lugar especial dentro de você mesmo.



Perfeito. A perda de alguém tão próximo e que sempre esteve ali e agora não estará mais realmente nos leva para um lugar desconhecido dentro de nós mesmos. E essa caminhada e a conversão da dor em saudades não são fáceis, mas é o único caminho na busca de se reerguer.
ResponderEliminarLindo texto! Me fez pensar o tanto de pedacinhos de pessoas que amamos temos em nós. E quando elas se vão, os pedacinhos ficam alí, talvez ajudando a seguir em frente💙
ResponderEliminarObrigado amiga! É exatamente isso. Para quem fica a missão é transformar esses pedaços em lembranças.
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