Permanecer é o movimento do amor
Por Maria Moura
Em meio à explosão na mídia de
casos de amor chegando ao fim, também vem o bombardeio de especulações a
respeito dos motivos que levam esses relacionamentos “perfeitos” a findarem, já
que aparentemente eram relações completas.
O que vem tornando as relações
amorosas tão líquidas?
Mulheres extremamente lindas,
dentro do padrão de beleza exaltado por parte da sociedade, com corpos
esculturais e rostos simétricos, dinheiro, fama, poder, empoderamento;
igualmente são os seus parceiros, ambos carregam uma multidão
de admiradores e uma torcida fervorosa pela continuidade do casal perfeito, e
mesmo assim nada disso é capaz de segurar a relação quando os dois decidem não caminhar
mais juntos.
É claro que pares anônimos que
não têm todos esses recursos também se separam. Mas quero questionar aqui
justamente no caso de quando duas pessoas “têm tudo” para tornarem um
relacionamento mais empolgante e mesmo assim o entusiasmo com as coisas
externas acaba em pouco tempo.
Quando muitos casos desses vêm
à tona ao mesmo tempo, a gente se põe a pensar o que é necessário ter, ser e
fazer para que duas pessoas permaneçam juntas (óbvio que de modo saudável).
Baseado em comentários feitos por
mulheres na internet do tipo “se fulana que é perfeita assim foi
deixada, imagina nós...”, com isso eu fico me perguntando: então, isso conforta ou
apavora?
O que faz de fato uma relação seguir em frente
apesar dos percalços?
Achar que beleza, dinheiro e fama
são os ingredientes principais para fazer um relacionamento durar é um
pensamento um tanto superficial, que só pode mesmo resultar na liquidez de
sentimentos passageiros e sensações prazerosas mas que não vão garantir o
sucesso contínuo da relação.
O livro “Amar e Ser Livre”, de
Sri Prem Baba, traz vários pensamentos iluminados a respeito dos envolvimentos
amorosos que ele chama de “afetivo-sexual”. Dá clareza e mostra como são os
direcionamentos na relação quando há interesse de verdade em ficar.
“Se o casal for maduro o
suficiente para lidar com os balanços da relação, compreendendo que isso faz
parte da jornada, eles poderão atravessar as noites escuras da relação, e
alcançar a meta maior, que é o amor”.
A partir desse e de outros ensinamentos, livros, casos, fatos, momentos que vivo, situações que experiencio, cheguei à minha conclusão particular: nada segura uma relação.
Beleza, status, fotos lindas
e perfeitas nas redes sociais, fama, passeios extraordinários, viagens
deslumbrantes, conta bancária.... Nada pode segurar uma relação exceto a
DECISÃO dos dois de acordar todo dia e se escolher e acolher um ao outro, de
ser companhia quando toda a badalação do sábado a noite passa, quando o tédio
chega, quando o outro perde a graça e o rebolado.
Basear o relacionamento amoroso em
aspectos externos pode funcionar apenas por um tempo.
A novidade não dura e é preciso
elevar a relação a outro nível, que é a sustentação através dos mecanismos
internos, que são os sentimentos verdadeiros e a condução mais sólida do
relacionamento, envolvendo compreensão, humildade, zelo, diálogo, paciência, bondade, cuidado, generosidade, companheirismo. Deixando de lado todo o encantamento externo que
deveria ser algo secundário e não primordial.
Aceitar os defeitos e contornar
as chateações que nunca deixarão de existir na relação, aliado com a decisão de
continuar juntos, faz duas pessoas criarem um laço de união e comprometimento que vai ganhando
força e resistência aos abalos vindos do meio externo e do interno também, que
são nossas sombras e feridas.
Esse movimento de permanecer é o único digno de ser chamado de amor.



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