O mundo ficou mais estúpido ou é a estupidez que nunca foi tão "filmada"?

Por Ricardo Garcia

O mundo nunca foi pacífico. Não adianta tentarmos nos iludir de que o mundo sempre foi um lugar tranquilo para se viver e de que apenas de uns tempos pra cá as coisas "desandaram" até chegarmos no estágio social atual.

Basta uma breve pesquisa em textos sobre História para descobrir que desde que o "mundo é mundo", ou seja, desde que os seres humanos passaram a conviver em sociedade, que os conflitos sociais sempre estiveram em tona.

Guerras pelos mais diferentes motivos marcam a história da nossa civilização desde os séculos mais antigos até hoje.

Claro que as grandes guerras e os grandes conflitos (territoriais ou religiosos, por exemplo) chamam mais atenção do que as "pequenas" guerras que nos deparamos no dia dia.

Mas são nessas "pequenas guerras" que travamos no cotidiano que vão se criando barreiras impenetráveis para uma convivência mais pacífica entre os seres humanos.

É nesse sentido que cabe uma reflexão pertinente para os dias atuais. Desde quando temos nos tornado tão intolerantes, estúpidos e insensíveis com os demais?

O campo de abrangência dessa análise é enorme, podendo envolver questões políticas, religiosas, tecnológicas, dentre outras, que, misturadas, resultam numa avalanche de intolerância.

Em uma época já tão castigada pelas consequências drásticas provocadas pela pandemia de Covid-19, o mundo tem sido atingido ainda por uma força avassaladora de ódio, desrespeito e crueldade como nunca antes vista nessa proporção.

Força essa que vem de todas as partes do mundo e de variadas esferas da sociedade.

A internet, em particular, por sua capacidade múltipla e diversificada de uso, desempenha um papel até enigmático.

Ao mesmo tempo em que permite (mais uma vez reforço, como nunca antes) que episódios de intolerância (que passariam despercebidos em outros momentos) cheguem ao alcance de milhões de pessoas, ela também pode funcionar como um mecanismo de propagação de ódio.

Nunca se viu tanta estupidez "filmada" como nos últimos tempos. Assassinatos em "tempo real" de negros, nos Estados Unidos e no Brasil, chocaram a todos e provocaram manifestações. 

Ao mesmo tempo em que "flagras" de humilhações, assédios e afins em estabelecimentos viraram rotina. "Celebridades" organizando festas de arromba em plena pandemia de um vírus mortal geram uma "revolta" momentânea e seletiva.

Nunca fomos expostos a tantos registros de "carteirada" como nos tempos atuais
 

Por outro lado, a internet que ajuda a "abrir" os nossos olhos para essa realidade cruel também é um espaço em que se disseminam fake news e em que ataques contra minorias são direcionados.

Enfim, a internet, enquanto campo de exposição das mazelas da sociedade também é um campo fértil para a popularidade de discursos de ódio.

É como brilhantemente define o escritor italiano Umberto Eco:

"As redes sociais dão o direito de falar a uma legião de idiotas que antes só falavam em um bar depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a humanidade. Então, eram rapidamente silenciados, mas, agora, têm o mesmo direito de falar que um prêmio Nobel. É a invasão dos imbecis"     

Diante dessa realidade intrigante fica o questionamento: será que naturalizamos demais a estupidez humana? Será que o ódio já virou algo banal e que devemos "aceitá-lo" como é?

Fica a divagação... 

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