Rejeição às máscaras, aglomerações... O vírus do egoísmo se "propaga"
Por Ricardo Garcia
Tem pouco mais de nove meses que uma pandemia mortal e implacável tem assolado o mundo, com impactos significativos na vida de todos.
Não há ninguém imune aos efeitos devastadores provocados pela Covid-19. Sob os mais diferentes aspectos que se analise, sejam eles sociais, comportamentais, econômicos e, claro, de saúde, a pandemia escancarou os abismos de um mundo cheio de complexidades.
E um dos aspectos que mais exige reflexão desde que a pandemia foi declarada (e as medidas mais restritivas de convivência social foram adotadas) diz respeito ao nosso comportamento enquanto sociedade.
Está claro (ou deveria estar para todos!) desde o começo que seguir as recomendações sanitárias de distanciamento social, uso de máscaras e higienização das mãos é a maneira mais eficaz de combater a proliferação da doença.
Diante desse fato estabelecido e dos recorrentes casos de descumprimento das recomendações, é pertinente se questionar o que leva muitas pessoas a ainda resistirem a essa realidade?
Por que, mesmo diante de uma situação excepcionalmente adversa (e enfrentada por todo o planeta ao mesmo tempo), ainda é tão difícil para certas pessoas abrirem mão de suas individualidades e caprichos em prol de um bem coletivo?
Prefiro acreditar que ninguém esteja confortável com a situação atual. O “novo normal” que vivenciamos neste ano de 2020 impõe restrições, privações, renúncias do que estávamos habituados a fazer. E abrir mão, forçadamente, dos nossos hábitos cotidianos ou adaptá-los é algo que exige uma maturação.
Mas se o quadro mundial é tão atípico e inesperado, cobrando “apenas” uma maior conscientização social sobre o nosso entorno, por que ainda somos tão egoístas?
Praias, praças e outros lugares públicos registrando aglomerações. Pessoas insistindo em sair de casa sem máscaras, transitando ou fazendo atividades coletivas, como caminhadas, por exemplo, sem o uso do equipamento. Em casos mais extremos, há registros de agressões contra quem tenta cumprir a lei.
O que mais isso representa senão o egoísmo em estado puro?
É a satisfação de caprichos pessoais, após um período mais rígido de isolamento, em que muitos (principalmente os que não contraíram o vírus) se sentem imunes e autorizados a “voltarem” às suas vidas normais, enquanto o “resto” segue “preso” ao fantasma do vírus.
Pior é quando se espera das autoridades públicas uma postura mais sensata e racional sobre a necessidade de preservarmos a cautela diante dos riscos ainda à espreita.
Recentemente, um parlamentar do Ceará defendeu o uso facultativo de máscaras no Estado. O argumento era o “desconforto” que ela provocava em alguns (citando inclusive ele próprio como referência).
Felizmente, a intenção insana e irresponsável do digníssimo não foi bem sucedida e a sua ideia foi devidamente rejeitada.
Muito se falou que a pandemia poderia trazer um legado positivo para a sociedade no que se refere à solidariedade.
Que por todos estarem no mesmo “barco” nesse momento crítico, um espírito de compaixão, de se colocar no lugar do outro e entender as suas angústias iria prevalecer.
Pode ser que essa percepção tenha sido sentida nas primeiras semanas e meses da pandemia, já que a incerteza do futuro afligia a todos e não havia uma perspectiva clara para sair dela.
A verdade é que, com o encerramento de 2020, a sensação que passa é que o egoísmo está ficando mais forte do que nunca...



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