Solidão em companhia
Por Maria Moura
Você já se questionou quantas
vezes permitiu que o celular tirasse de você momentos que poderiam ter sido muito
melhores no mundo real que no virtual?
Entramos no universo
da conectividade com tanta empolgação que nos esquecemos de apreciar a presença
de quem está por perto.
Se foi através do celular que a comunicação com quem está longe se tornou possível, é também por meio do uso exagerado desse aparelho que estamos trocando interações profundas de toque na pele por conexões superficiais de toque na tela.
Com isso, estamos perdendo a noção de tempo que dedicamos a um inofensivo telefone.
Fazer registros fotográficos, saber
de um amigo que está pra chegar, dar e receber notícias de quem não pôde
comparecer, todas essas atitudes são perfeitamente aceitáveis quando se está em
companhia.
Não há problema nenhum em utilizar
esse instrumento que trouxe tanta praticidade para a vida de todo mundo. Mas há
um limite saudável para checar o celular quando não está sozinho.
Saber dosar o uso do celular é
essencial para um bom aproveitamento do momento presente.
O que é assustador hoje em dia é estar em um local de entretenimento e, ao olhar para as pessoas que decidiram sair para se divertir e interagir pessoalmente, reparar que elas não estão fazendo isso.
Os encontros atuais mostram cada pessoa no seu próprio celular checando
suas infinitas notificações e abstraindo o que acontece ao seu redor.
Acredito que essa atitude despercebida advenha de uma ansiedade que toma conta das novas gerações.
Parece que sempre
queremos estar no futuro. Estamos em um local já imaginando estar em outro,
estamos com uma pessoa e conversamos com outra distante.
Olhamos a foto de um amigo nas redes sociais e imaginamos o quanto ele deve estar feliz e realizado naquele lugar.
Não percebemos que o que deveríamos fazer era curtir onde estamos em vez
de tentar deduzir a emoção que o outro está sentindo e que, na verdade, muito
provavelmente ele esteja do mesmo jeito: com o celular na mão esperando atualizações
e postagens de seus amigos para imaginar o quanto estão bem. E o ciclo de
insatisfação e pouca alegria vai ficando infinito.
E quando o celular está entre o casal? Qual é o limite tolerável para não deixar o uso excessivo desse atrativo encantador
nos roubar horas de lazer?
O celular no meio do casal é um
assunto ainda mais profundo e tenso que tem gerado discórdias e, em casos mais
extremos, é capaz de formar um abismo entre os companheiros.
Vale refletir e reavaliarmos nossas
atitudes. Como tem sido nossa relação com o nosso celular e com quem está do lado?
Sair do modo automático requer a
percepção de quanto nossas ações têm atrapalhado ocasiões importantes e
passageiras que poderão ser únicas.
Não perca a oportunidade de viver o essencial da vida. O resto pode ficar para depois.



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