A dinâmica das relações líquidas
Por Maria Moura
Construir uma relação sólida não é fácil. E hoje, com a famosa “modernidade líquida”, como previu Bauman, está mais difícil ainda.
Uma relação consistente requer respeito mútuo, admiração, cuidado, generosidade.
Certamente toda essa dedicação está de fora da imaginação - errônea - de “par ideal” das pessoas que buscam por uma boa relação, mas que não querem se comprometer com o real.
São pessoas que preferem se apegar a uma visão romantizada do que seja o amor. Nessa visão, fica mais fácil justificar o insucesso das inúmeras relações vividas e a coleção de frustrações, sem nunca se enxergar como responsável capaz de analisar o que não funcionou.
Egos inflamados. Jogos de sedução. Quem é mais desapegado. Quem demora mais para responder.
Mulheres que pregam o “dona de mim” muitas vezes disfarçado de egoísmo. Homens receosos em mostrar vulnerabilidade e que são extremamente desleais com quem se relacionam.
Ninguém pode aparentar insegurança: essa é a dinâmica atual das relações líquidas.
Cada um com os seus próprios interesses e na sua conta de Instagram, competindo para ver quem é o mais seguido, feliz, viajado, inserido no mundo badalado.
O atual termo “contatinho” se popularizou e normalizou a depreciação dos vínculos afetivos. Isso é péssimo!
Imersas na atenção exagerada para si mesmas, as pessoas estão cada vez mais com dificuldade de olhar para o outro e vê-lo como ser humano frágil e falho.
Por isso que os relacionamentos sérios estão tão difíceis hoje. É necessário ter consciência de que para ser dois é preciso cultivar um zelo constante e um eterno ceder, entender, desculpar.
Homens e mulheres querem encontrar “alguém legal”. E por que essa conta não fecha? Por que essas pessoas com vontades iguais não se esbarram?
Podem até se esbarrar, mas só querer que dê certo não é o bastante, é preciso fazer dar certo. Acontece que falta disposição. As pessoas querem o simples e rápido. E relação dá trabalho e é complexa. Exige empenho e paciência de ambas as partes para construí-la.
Enquanto prevalecer o “primeiro eu, segundo eu, terceiro eu", não haverá relações com alicerce firme.
O problema está em confundir egoísmo com amor próprio exacerbado, por isso as relações afetivas ficaram insustentáveis.



É isso aí. Eu entendo que a relação sólida começa no momento que o ~ 🔥~ da paixão arrefece. Enquanto estamos naquela empolgação apaixonada do começo do relacionamento, é só o desejo agindo, vontade pessoal e expectativas de algo ideal - que corresponda a nossa vontade - que é só nossa, e não do parceiro.
ResponderEliminarQuando a paixão "acalma", o amor começa. E amor é serviço, algo pouco comentado quando se fala em relações. E o servir diz muito sobre respeito á vontade e a individualidade do outro. Compreender as eficiências e deficiências e acolher. E isso vale pra relações amorosas, familiares, sociais. O comum é se viver nos extremos entre a autoafirmação e a dependência, o que invariavelmente acaba em relações onde uma personalidade "engole" a outra, indo aos extremos do abuso, ou evaporam tão logo os envolvidos percebam que o que os ligam entre si é mera expectativa construída pelo desejo individual (sempre egoísta).
👏👏
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